segunda-feira, 19 de julho de 2010

O apaixonado Dom Raul e a apaixonante Neyen

Até o dia anterior, não tínhamos ouvido falar da Viña Neyen. Ela foi indicada pelo pessoal do querido Hotel Vendimia. Nossos amigos disseram que era a melhor vinícola do Chile e, como nós havíamos esgotado o repertório das vinícolas conhecidas no primeiro dia, seguimos a indicação deles.




Seguindo, então, uma estrada de chão, chegamos ao seu final: uma linda morada em estilo espanhol. O estilo arquitetônico espanhol é muito bonito. Parece um cenário do filme do Zorro, com casas horizontais e grandes luminárias na parte externa.
Neyen foi uma experiência ímpar. Sem sinalização adequada – não achávamos a recepção – e sem muita visitação, é uma vinícola fantástica. Sua história começou com um homem “enamorado” pela casa que ali havia. Toda história que começa com um homem apaixonado começa bem. Esse homem se chama Dom Raul. Ele se encantou tanto pelo lugar, que comprou os seus vinhedos, muito antigos, que abasteciam as vinícolas do Valle do Colchágua.



A paixão dele era tanta, que acabou reformando a casa com telhas antigas, garimpadas e trazidas da região. Muitas se quebravam no caminho. Ele plantou rosas brancas ali. Trouxe a mulher que amava para viver ali. E decidiu fazer um vinho, só pra eles. Apesar de ser um empresário das telecomunicações, dono de 10 companhias do setor no Chile, Dom Raul achava que o seu legado só poderia ser o vinho.



Dos vinhedos com mais de 120 anos e de uma estrutura preocupada em cuidar da natureza, como utilizar a luz natural e a gravidade, nasce o único Neyen (espírito) de Apalta (gente boa).
O objetivo da Neyen é produzir o melhor vinho possível em cada safra e é essa a ideia que norteia a quantidade de Carmenére e Cabernet Sauvignon que vai no ano. Em 2005, o ano das uvas no Chile, por exemplo, essa safra mesclou 50/50. Cada ano, são produzidas apenas 15.000 garrafas.



Ouvimos toda a história encantados. Eu já estava com os dedinhos coçando para pegar a taça e saber qual é o gosto dessa história de amor: ela cheira a frutas vermelhas. Tem sabor de ameixa e blueberry. O melhor vinho de todas as degustações. O Neyen 2005 veio acompanhado de um chocolate suíço, feito especialmente para a vinícola. Eu, que sempre recuso doce para não alterar o sabor do vinho, fiquei surpresa ao ver o quanto o chocolate e o vinho podem se completar e um deixar o sabor do outro ainda mais evidente. Simplesmente perfeito.



A tour na Neyen nos deixou sem saída: tínhamos que levar uma garrafa. Ela custou 70 dólares e foi a mais cara que compramos na vida. Claro que não pagamos pelo vinho: levamos uma história de amor engarrafada.
Para completar, ficamos sabendo que a mulher de Dom Raul não toma vinho tinto. Mas, ele não desanimou: faz todos os anos algumas garrafas especiais de vinho rosê só para ela. Ah, o amor. Ah, o Neyen.



Neyen Espiritu de Apalta
Valle de Colchagua - Chile
56- 2 - 240 63 00
jaime@neyen.cl
http://www.neyen.cl

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