domingo, 22 de maio de 2011

A busca pelo sagu perfeito no Vale dos Vinhedos

A Pousada Borghetto Sant`Anna é tão encantadora que fica até difícil abandoná-la. Mas tínhamos o Vale dos Vinhedos para explorar, então, ao entardecer, fechamos a cabana e saímos para ver o sol se pôr nos vinhedos gaúchos.



É lindo ver o dourado pousando nas folhas. Percorremos o vale e nos surpreendemos com a beleza dos parreirais, muitos pontuados por plátanos e outros com roseiras, que seriam plantadas nos vinhedos porque identificaria rapidamente, se houvesse alguma praga.











Já era 19h e a luz se fora. Decidimos jantar mais cedo. Fomos para o tradicional restaurante Canta Maria. Jantamos comida típica italiana, claro. Uma delícia.







O vinho escolhido foi o Merlot, claro, a uva emblemática do nosso querido Vale dos Vinhedos. Tomamos um Merlot Pizzato, safra 2007. Aveludado, macio, cheiroso de frutas vermelhas maduras. Perfeito.





O atendimento também era espetacular. Quando peguei a câmera para tirar a foto do vinho, o garçom apareceu no mesmo instante, para fazer a foto da família, hehehe. E olha, a foto ficou ótima. Um pouquinho de manejo com a câmera tinha que fazer parte do treinamento dos garçons de hoje. É um bom diferencial. Aliás, eu queria muito saber quem treina os garçons do Canta Maria. Fiquei encantadíssima com o atendimento. Impecável.
Posso não ter perguntado quem costuma fazer o treinamento dos garçons, mas a receita do sagu, eu pedi. O garçon voltou da cozinha com uma lista de ingredientes que incluía um garrafão de vinho bordô e um saco de sagu, mais especiarias e açúcar, e dizia que aí era só cozinhar, como se faz com sagu, ué, com uma carinha de que todos nós sabemos os procedimentos de um sagu. Mais ou menos como se faz arroz, todo mundo sabe. Claro, é muito simples, os gringos dizem. E eu sigo tentando acertar. A minha busca pela receita do sagu perfeito não terminou.
Mas o sagu perfeito, nós achamos, com certeza: é o sagu da Canta Maria!



Restaurante e Armazém Canta Maria
RST-470, Km 17 - ao lado da pipa-pórtico de Bento Gonçalves
54 3453.1099
http://www.cantamaria.com.br/

domingo, 1 de maio de 2011

Toscana gaúcha

Há anos que sonhava em participar da Vindima, a colheita da uva, em Bento Gonçalves, RS. Neste ano, também não conseguimos ir, mas nas nossas buscas por informações sobre o lugar e suas atrações, encontramos uma pousada incrível e marcamos uma ida a Bento, mesmo fora do período da colheita. O que queríamos era um lugar pequeno e charmoso, para combinar com nosso primeiro passeio a região vinícola mais importante do país, a principal do estado que produz 90% dos vinhos brasileiros.





A Pousada Borghetto Sant`Anna foi inspirada no meu filme favorito: Sob o sol da Toscana. Ela tem poucas cabanas, de pedra, no estilo da região da Toscana, que fica no interior da Itália. A Toscana abrange cidades como Florença e Siena. É formada por planícies e pequenos morros, onde ficam propriedades ou até medievais cidades muralhadas. Toda região é pontuada por ciprestes. Atrás da sua beleza e luz, foram muitos pintores.



A Pousada Borghetto Sant`Anna localiza-se no meio do Vale dos Vinhedos. Ficamos na Casa das Fronteiras, a mais linda das cabanas e com a vista mais sensacional do Vale. Essa janela abaixo fica no quarto. Dá para acreditar?



Ainda tem um terraço maravilhoso, onde se assiste o pôr-do-sol e o amanhecer, com a neblina cobrindo os parreirais. A vontade que se tem é de não sair dali. E realmente aproveitamos muito esse terraço: tomamos chá e jogamos com as filhotinhas ali.







Não estávamos na Vindima, por isso o sol não era aquele forte do verão. Era outono. A época mais linda do ano para ver os parreirais verdes se camuflarem de dourado, marrom e até roxo. Como se Baco, o deus do Vinho, tivesse desejado aproveitar a maravilhosa luz do lugar e pintar de uma paleta incrível cada uma daquelas folhas, como fizeram nas suas telas aqueles pintores da Toscana europeia.






http://www.borghettosantanna.com.br
Via Trento, 868 - Vale dos Vinhedos
Bento Gonçalves | RS 95700 - 000
Fone / Fax (54) 3453.2355

domingo, 24 de abril de 2011

O que envolve a Páscoa

Poucas coisas valem tanto na vida como uma família feliz em volta da mesa. Seja lá qual for a sua fé, que essas datas sirvam para reunir quem você ama e aumentar o banco de horas felizes da sua vida. Boa Páscoa!



Foto: Aline N. Petry.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Briga de galos na Toscana



Como suas cidades medievais e muralhadas, a região da toscana é cercada de lendas. A mais interessante delas talvez seja a que justifica um galo negro como símbolo do lugar. Conta que, em meados do século XVIII, as cidades de Siena e Firenze (Florença) disputavam territórios e, especialmente, a denominação dos vinhos Chianti. Para pôr fim a essa briga, elegeram uma prova que, finalmente, delimitaria as fronteiras.
A prova era simples: ao amanhecer, assim que o galo cantasse, o cavaleiro mais capacitado de cada cidade, montado no cavalo mais veloz, sairia em direção à outra. A fronteira seria exatamente onde os dois cavalheiros se encontrassem.
Cada cidade cuidou do seu despertador: o povo de Siena elegeu um galo bonito, jovem, bem nutrido e disposto, para cantar na alvorada. Já Firenze escolheu um galo negro, magro e mal alimentado. O galo de Firenze acordou mais cedo, pois ele tinha fome, e cantou antes do galo de Siena, fazendo com que o cavaleiro fiorentino tivesse boa vantagem.
Os dois cavaleiros se encontraram já bem perto de Siena e a cidade de Firenze conquistou um território maior que a vizinha. Dizem que essa disputa também levou para Firenze a exclusividade do nome Chianti. Como prova, basta olhar as garrafas e rótulos dos vinhos Chianti e reparar no bichinho vencedor. Como diriam os gaúchos, esse é galo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Nem só os vinhos Chianti envelhecem melhor aqui

Mesmo apaixonada por Veneza, eu só casaria mesmo era com a Toscana. Não é verdade que devemos casar com quem não temos medo de envelhecer? Então, posso até me imaginar envelhecendo entre ciprestes e girassóis, tomando meu próprio vinho e fazendo o azeite de oliva para minhas bruschettas, que assariam todos os dias no forno a lenha da varanda. Uma casinha na toscana com chaminé e fumaça. É assim que imagino.



Não vimos nenhum girassol por lá. Era dezembro, o auge do inverno. Quando atravessamos os Montes Apeninos, a neve havia estado lá há pouco.



Chegando em Pisa, o tempo estava lindo. Minhas expectativas quanto a Torre eram baixíssimas. Mas na hora que você atravessa o portão e a torre simplesmente aparece na sua frente, é incrível. Não pensei que ela fosse provocar esse deslumbramento, mas caí de amores pela Torre de Pisa.





O tempo disponível na cidade era pequeno e tivemos que nos contentar com o Mc Donald’s. Comemos um sanduíche que também sonhava em ser realmente ali da Toscana. Uma adaptação da rede americana, para conquistar turistas, com queijo pecorino.



Para nos redimir, no jantar, tomamos um Chianti Villa Vistarenni. Vistarenni é um nome etrusco e deriva de "Fistarinne" - o nome de uma localidade pequena e fortificada da Toscana, que ainda existia no ano 1000. O Chianti é o vinho da Toscana, um dos mais famosos e comerciais da Itália, feito com as uvas Sangiovese. Esse exemplar Villa Vistareni tinha o aroma e sabor das cerejas maduras. Um vinho encorpado, mas não muito.



Tínhamos só mais um dia na Toscana. Não daria tempo de envelhecer por lá. Já de volta ao Brasil, estou tomando minhas providências. Vou fazer exercícios e ficar em forma. Vai que esse sonho se realize e eu não consiga colher minhas uvas e azeitonas, nem amassar o meu pãozinho, para assar no forno a lenha. Aí, sim, meu sonho na Toscana realmente terá virado fumaça.

domingo, 3 de abril de 2011

Gôndolas e goles de Veneza

Quando eu era criança, achava que o lugar mais romântico do mundo fosse Veneza. Meu sonho era conhecer o conjunto de ilhas (são 118!) e passear naquelas gôndolas com um gondoleiro cantando aquelas músicas italianas da propaganda do Cornetto.





Cresci e conheci um pouquinho da Itália. Foi aí que me apresentaram a Toscana, em 2006, e a paixão pela então desconhecida Veneza ficou pra trás. Mas não por muito tempo: fomos apresentados oficialmente a Veneza em dezembro passado e fiquei encantadíssima pela cidade mais emocional e líquida da Itália.




Veneza é famosa pelos seus cristais e não poderíamos deixar de ir até uma fábrica, ver como acontece o sopro. Saímos de lá com copos de espumante. Nada combinaria mais com Veneza do que a celebração.



Tenho certeza que foi o dia mais frio da viagem e, além de comprar cristais, nos jogamos nas lojas de botas, cachecóis e luvas. O termômetro marcava menos 8 graus e não pudemos aproveitar o suficiente da Praça São Marcos, Basílica e Palácio Ducal.

Em compensação, tomamos um delicioso capuccino numa cafeteria e caprichamos no almoço, que foi a melhor e mais deliciada comida da viagem. Fomos fartamente servidos de uma pasta de frutos do mar com aquele molhinho feito com tomates tão docinhos que aí, sim, se justifica chamar de fruta, penne Nero, que é massa com tinta de lula, muito tradicional em Veneza e, se você não se assustar com a aparência do prato, vai amar essa iguaria! A cereja do bolo foi o Tiramisú, feito com um café espetacular, vinho e mascarpone.







Para finalizar, realizei o sonho de infância: andei de gôndola com meu amor, minhas filhotinhas e um gondoleiro que cantou todas as canções italianas mais clichês de todos os tempos. Ah, mas um clichê na hora certa tem o seu valor. Cantei todinhas, faceira no sol, embalada pelo balanço da gôndola.



Ah, e a rolha de Veneza, qual foi? Como a especialidade do lugar é um espumante branco feito nas colinas da região do Vêneto, trouxe as taças para casa e pensei que um dia talvez voltasse a esse lugar incrível, para buscar a bebida. Aliás, isso pra mim é líquido e certo.

domingo, 20 de março de 2011

Videiras de outono

Entre um post e outro da Itália, os primeiros ventos de outono começam a assoviar aqui, no Hemisfério Sul. A natureza começa a se recolher para armazenar forças para a época mais fria do ano e é impossível não falar desse movimento natural.
Acordei e, com o rosto colocado para fora da janela como poodle em carro, já senti aquela sensação gostosa de começo de outono. Resolvemos, depois de um quentinho capuccino com canela, comprar orquídeas de inverno para o pergolado. Entramos na feira e, guiados por um perfume diferente, chegamos ao estande de um japonês, que disse que o maravilhoso cheiro era de uma Catléia roxa. Voltamos com ela nos braços.



Coloquei a planta no pergolado, ao lado das suculentas, e aproveitei para tirar as folhas secas do jardim. Um tempinho depois, entrei. Afinal, precisava descrever o vinho que tomamos ontem à noite: o Sunrise Merlot Rosé. O vinho ideal para o fim do calor, para ser tomado nas primeiras noites frescas de outono.



O Sunrise Merlot Rosé enche a taça com um tom rosa violáceo, lindo como pôr-do-sol de verão. Tem sabor de frutas maduras, como o morango ou, mais fortemente, a goiaba que ainda está no alto das goiabeiras da beira da estrada. Aquela que os meninos não conseguiram alcançar. O vinho frutado agradou em cheio. Um rosé encorpado. Um falso tinto. Leve, muito leve. Como as folhas secas que mal ouço, mas que caem lá fora, entre orquídeas perfumadas e suculentas.