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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os destinos de quem ama vinho

Se você gosta de vinhos e quer conhecer lugares incríveis, comece por essas fotos aqui
Enlouqueci com a foto da Toscana, na Itália, e do Valle do Colchágua, no Chile. E tenho certeza que existem imagens mais lindas da Serra Gaúcha, como essa aqui:



A Serra Gaúcha é linda!

domingo, 3 de outubro de 2010

Sem Neruda nananinaninha

Só posso pensar numa expressão bem gaúcha para expressar o sentimento de deixar a terra do maior poeta chileno sem conhecer a sua casa mais linda: mas, é bem capaz! No nosso último dia no Chile, corremos para Isla Negra, conhecermos a casa mais incrível de Pablo Neruda.
Na chegada, uma das mais marcantes poesias, o seu autorretrato:



Por mi parte, soy o creo ser duro de nariz,
mínimo de ojos, escaso de pelos
en la cabeza, creciente de abdómen,
largo de piernas, ancho de suelas,
amarillo de tez, generoso de amores,
imposible de cálculos,
confuso de palabras,
tierno de manos, lento de andar,
inoxidable de corazón,
aficionado a las estrellas, mareas,
maremotos, administrador de
escarabajos, caminante de arenas,
torpe de instituciones, chileno a perpetuidad,
amigo de mis amigos, mudo de enemigos,
entrometido entre pájaros,
mal educado en casa,
tímido en los salones, arrepentido
sin objeto, horrendo administrador,
navegante de boca
y yerbatero de la tinta,
discreto entre los animales,
afortunado de nubarrones,
investigador en mercados, oscuro
en las bibliotecas,
melancólico en las cordilleras,
incansable en los bosques,
lentísimo de contestaciones,
ocurrente años después,
vulgar durante todo el año,
resplandeciente con mi
cuaderno, monumental de apetito,
tigre para dormir, sosegado
en la alegría, inspector del
cielo nocturno,
trabajador invisible,
desordenado, persistente, valiente
por necesidad, cobarde sin
pecado, soñoliento de vocación,
amable de mujeres,
activo por padecimiento,
poeta por maldición
y tonto de capirote.

É prudente reservar lugar, porque tem muita procura e as visitas são guiadas. Pode-se fazer isso no site: http://www.fundacionneruda.org/



O escritor Chileno não possui somente uma obra poética magnífica, também teve uma vida muito rica e interessante. Foi diplomata em vários pontos, conheceu pessoas influentes e apaixonou-se pela cultura de muitos lugares.



Os objetos das suas andanças estão na Isla Negra: são mais de 3.500 objetos e máscaras indígenas, garrafas de várias cores – ele acreditava que davam outra energia aos líquidos-, garrafas com navios dentro, fotografias, animais, instrumentos de navegação, mapas mundi, conchas, peixes.




Lá tem também uma típica garrafa de areia do nordeste brasileiro, dada por seu amigo Jorge Amado.



Logo que comprou a casa, que era apenas um cômodo, colocou uma âncora lá, sinalizando a grande vontade de permanecer nesse lugar. Cada pequena peça tinha um grande significado para Neruda. Era apaixonado pela vida e pelo mar. Mas tinha um barquinho no seco, para tomar seu vinho ali, olhando o mar de longe, porque, ele dizia, que era mais seguro.



Neruda também era encantado com as carrancas de navios. Ele levava todas para a sua sala. Uma delas, especialmente, lhe chamava a atenção: como tinha sido esculpida com madeira verde, costumava suar quando ele acendia acendia a lareira e o calor a alcançava. Ele costumava dizer, enquanto sorvia o vinho frente à lareira, que ele estava no lugar certo, mas que a caranca estava chorando de saudades do seu lugar, o mar.
Como não se pode fotografar a parte interna da casa, achei a imagem e colei aqui:



Fonte: site vitruvius

No quarto, uma das paredes é feita de vidro, com vista para o mar. A mesma vista em que ele foi enterrado lá, junto com o maior amor da sua vida, a sua Matilde, La Chascona (“a escabelada”, como carinhosamente a chamava, pelos seus cabelos desgrenhados).



Depois da visita, fomos ao restaurante do lado, comer o seu prato favorito, o caldo de Côngrio, que ele eternizou em um poema. Se tornar imortal é se deixar conhecer.



Com esse gostinho na boca, partimos em direção à Cordilheira dos Andes, atrasados para fazer todo o trajeto com a luz do dia, mas com os olhos marejados, como a carranca que chora.

Casa Isla Negra
http://www.fundacionneruda.org/

Horario de atención

De martes a domingo de 10 a 18 horas.

Tour en español: $3.000 por persona.

Tour en inglés: $3.500 por persona.

Estudiantes y tercera edad con credencial: $1.500 por persona (sólo chilenos, de martes a viernes en día hábil).

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Primeiras rolhas e Viña Del Mar II

Então, estávamos em Viña Del Mar, no Chile. A noite que começou num restaurante mexicano com mojitos e margaritas, acabou no Pescado Capital, entre um prato inusitado e um Pinot Noir maravilhoso!



O prato escolhido foi o Pulmay, que, segundo o cardápio, demorava cerca de 45 minutos (meeedo quando o cardápio avisa a demora, viu?). Para começar, tomamos um delicioso pisco sour. Depois disso, pedimos um legítimo Pinot Noir de Casablanca, para sentir o que frutificava naquele lindo e poético caminho até Viña Del Mar, onde a maresia refrescava delicadamente as uvas.



O vinho era leve, suave, mas tinha corpo e um sabor espetacular. Acho que essa é a principal característica do Pinot Noir: ser encorpado, mas sem perder essa leveza. Os vinhos Pinot Noir costumam ser sensuais, pálidos e perfumadamente doces.



Essa uva é originária da França, mas uma das mais difíceis de se cultivar. Se adaptou bem à Itália (eu também me adaptaria muito bem lá, aliás), Nova Zelândia, Áustria, Austrália e Chile.
As três regiões em que se planta Pinot Noir no Chile são Casablanca, onde estávamos, Vale de Santo Antonio, ao sul de Valparaiso, e o Vale de Limarí. Casablanca já é consolidada, mas, segundo a Revista Adega, o Vale de Santo Antonio tem mostrado, talvez, os mais espetaculares Pinot Noir de toda a América do Sul. O Pinot Noir é justamente o contraponto do Cabernet Sauvignon da nossa escala de cepas, aquela que prometi e ainda postarei aqui.



Os 45 minutos de espera do nosso Pulmay se transformaram em duas horas e perdemos mais ainda a noção do tempo quando acabamos o vinho e o restaurante gentilmente nos ofereceu algumas bebidinhas, enquanto aguardávamos.
O Pulmay, apesar de atrasado, chegou na hora certa e veja que combinação inusitada: frutos do mar, linguiça e frango! Posso afirmar que estava delicioso.



A estada no Pescado Capital durou mais que o esperado, mas não queríamos que essa noite terminasse. Nossas horas regadas à Pinot Noir acabaram perfeitamente na beira do mar, com a benção da maresia, que veio nos dar um beijo de boa noite bem carinhoso no rosto.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Primeiras rolhas e Viña Del Mar I

Apesar do destino ser a charmosa Viña Del Mar, estávamos tristes em deixar Santa Cruz e o Hotel Vendimia, com seu povo gentil.





Nossos atenciosos amigos nos indicaram um belo caminho: costeando o litoral. Agora, iríamos conhecer o Oceano Pacífico. Vendo aquelas águas lindas, azuis e revoltas batendo nos rochedos à beira-mar, me perguntei o porquê de ser chamado de Pacífico.



De um lado, as águas que chicoteavam as pedras, do outro, os lindos e intermináveis vinhedos de Casablanca. Ao fundo, se insinuava a Cordilheira dos Andes. Nessa noite, teríamos que provar um vinho que recebeu o beijo do mar e a benção da Cordilheira. Ah, com certeza.



Viña Del Mar é o balneário de luxo dos chilenos. Já Val-Paraíso é uma cidade portuária bastante suja. Ficamos horas até conseguir um hotel em Viña Del Mar. A nossa escolha foi unânime, o Hotel Oceanic, que fica na beira do mar, construído entre os rochedos.



Com certeza, teve a sua época de ouro, talvez em 1980, mas agora valia a pena pela localização. Abrir a janela de dar de cara com o mar não tem preço nem quarto com ar condicionado que pague.



Depois de chegar ao hotel, fomos caminhar na riviera chilena: feirinhas de artesanato com muita coisa colorida e cheia de conchinha.



Resolvemos iniciar os trabalhos da noite com um restaurante mexicano. Ali tomamos margaritas, mojitos e comemos uma deliciosa guacamole. É uma das minhas entradas favoritas. Mas a noite só estava começando. Ela continua no próximo post. ;)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Primeiras Rolhas na Casa Silva

Ainda falando da nossa viagem ao Chile, a última vinícola que visitamos lá foi a Casa Silva, no Valle de Colchagua.
Naquele dia, havíamos visitado a maravilhosa e inesquecível Neyen e encontrado a enigmática Las Niñas de portas fechadas. Agora, era partir para a Casa Silva, que fica em San Fernando, um pouco distante dali, pero no mucho. A vinícola seria a mais comercial de todo passeio. Chegamos encantados, admirando a fachada.



Para nossa decepção, o tour foi automático. Sem humor, sem descontração, sem histórias interessantes, sem paixão. Claro que estávamos vindo da Neyen, onde ficamos caidinhos pelo vinho, pela história, pelo encanto do lugar. Mas, o contraste foi absurdo.





De uma forma mecânica, a guia nos levou às instalações industriais frias, que dividiam o espaço com a coleção de carros do dono da vinícola. Pareceu uma grande ostentação sem história.



A degustação de vinhos Gran Reserva também não foi muito apreciada. O vinho que tomamos ao chegar no Valle de Colchagua , que era um Carmenére reserva, estava melhor.



A parte boa foi quando a guia ficou com a gente um pouco: tomei coragem e perguntei sobre qual seria a escala certa das cepas, da mais suave a mais forte. É uma perguntinha muito amadora, eu sei, mas realmente são minhas primeiras rolhas. Logo, logo, vou postar aqui a resposta dela, para quem também engatinha embaixo dos parreirais.



Bem, já que a própria viña não contou, pesquisei um pouquinho sobre a Casa Silva:

A história entre franceses e Colchagua é bastante antiga. A primeira adega da região foi construída por um francês, Emilio Bouchon, em 1892. Hoje, no mesmo lugar, descendentes de Bouchon administram a Casa Silva, que produz os vinhos Cabernet Sauvignon chilenos mais premiados internacionalmente.

A vinícola Estampa compete com a Casa Silva pelo título de mais antiga da região. Administrada pela família González desde o fim do século XIX, ela foi totalmente reconstruída, e possui edificações modernas para armazenar e produzir seus vinhos. Além de conhecer todo o processo de produção e degustar diferentes tintos, após o tour é possível criar a sua própria bebida, basta reservar com antecedência.


E, de preferência, não visitar a Neyen antes, não é?



Casa Silva
Hijuela Norte, Angostura, San Fernando
casasilva.cl

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Las Niñas: mulheres que amam vinhos

Com certeza, vocês já perceberam que o Chile encantou. Não dá nem para disfarçar. Claro que foi o vinho que nos trouxe aqui, mas o Chile prova, a cada dia, que tem muito mais motivos para ser visitado.
Antes de conhecer tudo o que o Chile têm para oferecer, todos vêm pelo vinho. No caso da família francesa Dauré, não foi diferente: oito mulheres da família visitaram o Chile em 1996. Gostaram tanto do Valle de Colchágua, que acabaram comprando terras ali. Esse foi o início da vinícola Las Niñas.



Aninha e eu estávamos muito curiosas com essa vinícola diferente, que tinha foto de mulheres no outdoor. Isso não é muito comum nesses lugares e a nossa veia feminina (e feminista) começou a pulsar.


Sauvignon Blanc: predominância de aromas de ervas recém-cortadas, limão, aspargos em lata e ocasionalmente pedras.

Las Niñas, com certeza, é uma vinícola de mulheres. O toque feminino está em toda parte. Chegamos lá e vimos um ambiente com cadeiras ao ar livre, muito lindo. Vários banners explicavam os sabores predominantes dos vinhos. Ciprestes pontuavam os caminhos. Tanto detalhe assim só poderia ter o certeiro dedo feminino de unhas pintadinhas.


Syrah: framboesas, cerejas, groselha e pimenta.

Infelizmente, nossa visita não foi adiante, porque a vinícola estava fechada para tours.


Carmenére: especiarias, pimenta preta e morangos.

Experimentar o Tacón Alto (amei o nome do vinho!) vai ficar para outra visita. Mas a gente não desceu do salto: ficamos um tempinho por ali, desafiando os cachorros, fotografando o bom gosto das mulheres francesas e aprendendo um pouquinho mais de vinho, pelos banners feitos por aquelas que, também como nós, caíram totalmente de amores pelo Chile.

Viñas Las Niñas
Fone: 56 72 321 600
Apalta – Casilla 94 -Santa Cruz
Valle de Colchágua - Chile
http://www.vinalasninas.cl

terça-feira, 27 de julho de 2010

Me espera, Mistela



Na nossa ida ao Restaurante Panpan Vinovino, no Chile, conhecemos o novo projeto da arquiteta que idealizou tudo aquilo e que tem o nome que o Pisco Sour me fez esquecer e a internet não me faz recordar.



Não importa. O importante é que o Mistela nos trouxe de volta àquele lugar mágico.
A proposta do Restaurante Mistela é ser um lugar que resgata e preserva as raízes da comida colonial chilena, aquela que era consumida antes da chegada dos espanhóis.



Pinhão, milho e maiz (mandioca) estão entre os ingredientes dos pratos do cardápio.
Começamos pelo tradicional: o pisco sour. Mas o aperitivo do Mistela era um pisco diferente, feito com uma cachaça de uvas aromatizada com frutinhas delicadas. Esse é o drinque que deu nome ao lugar. É muito bom mesmo. Tim-tim!



As mesinhas, lindas e rústicas, ficam à sombra de um carvalho. Ao lado, a horta cheia de temperinhos aromáticos. Delicadeza é parte do cardápio do lugar.



Falando em cardápio, ele tem poucas opções. Está em espanhol e inglês. Li “peas”e, empolgadíssima, achei que se tratava de peras. Ai, ó, o mico. Carne de porco com peras era o que eu queria. Me joguei na opção. E você sabe que só tem um jeito do mico ficar pior, né? Todos pediram o meu prato. E todos tiveram que comer porco com purê de pinhão, afe. A carne estava gostosa, mas confesso que o purê era meio pesadinho.



Bem, o importante é que as empanadas da entrada estavam incríveis, as bebidas e a sobremesa estavam divinas. Comemos um maravilhoso pudim de forno, que lembrou muito um crème brûlée.





Já a Aninha foi super corajosa e pediu o mote com huesillos, que não recomendamos. É super tradicional do Chile: uma taça de um caldo onde foram cozidos pêssegos e grãos de trigo descascados que se bebe/come bem gelado, com o auxílio de uma colher.
Claro que você deve provar, mas não espere alguma coisa deliciosa. Posso assegurar que realmente não é.



Não é todo dia que almoçamos embaixo de um carvalho, rodeados por uma horta e onde um gato filão tenta subir na mesa toda hora. Ah, Mistela, quanta magia. Mistela, que preserva a cozinha pré- conquistadores, nos conquistou.
Ainda nessa vida, quero voltar a esse lugar. Me espera, Mistela.



Restaurante Mistela
Caminho de San Fernando a Santa Cruz
Km. 31, Cunaco
Valle de Colchagua - Chile

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O apaixonado Dom Raul e a apaixonante Neyen

Até o dia anterior, não tínhamos ouvido falar da Viña Neyen. Ela foi indicada pelo pessoal do querido Hotel Vendimia. Nossos amigos disseram que era a melhor vinícola do Chile e, como nós havíamos esgotado o repertório das vinícolas conhecidas no primeiro dia, seguimos a indicação deles.




Seguindo, então, uma estrada de chão, chegamos ao seu final: uma linda morada em estilo espanhol. O estilo arquitetônico espanhol é muito bonito. Parece um cenário do filme do Zorro, com casas horizontais e grandes luminárias na parte externa.
Neyen foi uma experiência ímpar. Sem sinalização adequada – não achávamos a recepção – e sem muita visitação, é uma vinícola fantástica. Sua história começou com um homem “enamorado” pela casa que ali havia. Toda história que começa com um homem apaixonado começa bem. Esse homem se chama Dom Raul. Ele se encantou tanto pelo lugar, que comprou os seus vinhedos, muito antigos, que abasteciam as vinícolas do Valle do Colchágua.



A paixão dele era tanta, que acabou reformando a casa com telhas antigas, garimpadas e trazidas da região. Muitas se quebravam no caminho. Ele plantou rosas brancas ali. Trouxe a mulher que amava para viver ali. E decidiu fazer um vinho, só pra eles. Apesar de ser um empresário das telecomunicações, dono de 10 companhias do setor no Chile, Dom Raul achava que o seu legado só poderia ser o vinho.



Dos vinhedos com mais de 120 anos e de uma estrutura preocupada em cuidar da natureza, como utilizar a luz natural e a gravidade, nasce o único Neyen (espírito) de Apalta (gente boa).
O objetivo da Neyen é produzir o melhor vinho possível em cada safra e é essa a ideia que norteia a quantidade de Carmenére e Cabernet Sauvignon que vai no ano. Em 2005, o ano das uvas no Chile, por exemplo, essa safra mesclou 50/50. Cada ano, são produzidas apenas 15.000 garrafas.



Ouvimos toda a história encantados. Eu já estava com os dedinhos coçando para pegar a taça e saber qual é o gosto dessa história de amor: ela cheira a frutas vermelhas. Tem sabor de ameixa e blueberry. O melhor vinho de todas as degustações. O Neyen 2005 veio acompanhado de um chocolate suíço, feito especialmente para a vinícola. Eu, que sempre recuso doce para não alterar o sabor do vinho, fiquei surpresa ao ver o quanto o chocolate e o vinho podem se completar e um deixar o sabor do outro ainda mais evidente. Simplesmente perfeito.



A tour na Neyen nos deixou sem saída: tínhamos que levar uma garrafa. Ela custou 70 dólares e foi a mais cara que compramos na vida. Claro que não pagamos pelo vinho: levamos uma história de amor engarrafada.
Para completar, ficamos sabendo que a mulher de Dom Raul não toma vinho tinto. Mas, ele não desanimou: faz todos os anos algumas garrafas especiais de vinho rosê só para ela. Ah, o amor. Ah, o Neyen.



Neyen Espiritu de Apalta
Valle de Colchagua - Chile
56- 2 - 240 63 00
jaime@neyen.cl
http://www.neyen.cl

segunda-feira, 12 de julho de 2010

As primeiras rolhas já nos mantêm no Chile



Estamos há apenas um dia em Santa Cruz, no Valle de Colchagua, Chile, e queremos mais. Éramos os forasteiros, mas Santa Cruz e seu apalta (gente boa, em mapuche, idioma indígena do Chile) nos conquistaram. Estamos muito impressionados com a gentileza e a educação dos chilenos. Eles realmente oferecem o que têm de melhor. Somos hóspedes muito bem tratados. Foi justamente a indicação dos queridos amigos do hotel que nos levou ao Panpan Vinovino, essa gracinha de restaurante.



A fachada é muito charmosa, mas a casa antiga com a plaquinha singela não dava nem ideia do que se podia encontrar lá dentro: Panpan Vinovino fora uma padaria para trabalhadores da região e fazia pão para 1500 trabalhadores. Ele pertenceu à família de uma arquiteta que cheia de amor pelo lugar, restaurou-o e fez dele um espaço maravilhoso, cheio de histórias.



A iluminação tornava o Panpan ainda mais mágico. Você sente a energia e o calor daquele lugar e acha que está numa sucursal do paraíso. Até que a comida chega. Aí, você tem certeza. Pedimos ravióli de camarões e mariscos com espinafre. Delicioso demais!



Enquanto aguardávamos o prato principal, acabamos provando o que se tornou nossa nova mania, a pedida obrigatória, a grande obsessão: o pisco sour. A caipirinha chilena é demais. Na verdade, é uma bebida típica do Chile, feita com aguardente feito de uva e clara de ovo. Espetacular. Tanto que a cumadre e eu ficamos muito faceiras com ela.



Quando fomos ao banheiro, encontramos a proprietária do lugar, que nos mostrou sua loja tenda de quesos y aceite de oliva e também um novo restaurante que ela criara ali nos fundos, o Mistela. O Mistela será o tema de outro post, porque bem capaz que não iríamos voltar e provar.
Acho que foi o Pisco Sour, mas não consigo lembrar do nome da nossa elegante anfitriã de jeito nenhum. Mas amamos o Panpan Vinovino.



O vinho que acompanhou nosso momento mágico no Panpan Vinovino foi um Crucero Syrah. Um vinho bom, mas um pouco ácido, nem se comparava aos vinhos que prováramos ao longo do dia na Casa Lapostolle, na Viña Montes e na Viu Manent.
Amanhã, seria nosso último dia em Santa Cruz, tínhamos programado 3 vinícolas e precisávamos descansar de todo esse vinovino.

Panpan Vinovino
Camino San Fernando a Santa Cruz, km 31, Cunaco.
Valle de Colchagua, Chile.
tél: 56 (72) 858059 - 56 09 5193823
panpanvinovino@msn.com
http://www.panpanvinovino.cl/