quinta-feira, 8 de julho de 2010

É secreto, mas eu conto

No nosso segundo dia no Valle de Colchagua, que está a 150 km ao sul de Santiago, no Chile, marcamos 3 vinícolas. Depois da Casa Lapostolle e da Montes, nós, ansiosos pelos vinhos chilenos e sem tempo a perder , fomos para a Viu Manent. Estacionamos embaixo de parreiras, entre os vinhos de sobremesa.




A Viu Manent tem uma tour bem completa, que se inicia num passeio bucólico de charrete pelos vinhedos. Ali, um guia nos mostra as diferença as diferenças entre as folhas e os frutos de diferentes cepas, falando o espanhol mais difícil de compreender do dia. No entanto, foi a melhor e mais clara informação que tivemos.




Além de mostrar as folhas e frutos nos vinhedos, ainda explicou, mostrando as cepas em um painel e ainda nos serviu um vinho direto do barril, dentro do processo na fábrica.
Imperdível também foi o restaurante Viu Manent. Se você estiver no Chile e não gostar de vinho (o que acho bem difícil), mesmo assim, terá que incluir Viu Manent no seu roteiro. Que comida espetacular! Fiquei totalmente encantada com a culinária chilena! O camarão equantoriano (chileno!) é incrível. O cumpadre comentou: vai ser difícil voltar para o Brasil e comer aqueles camarões minúsculos, que deveriam vir com lupa, para serem encontrados.




A degustação também foi maravilhosa. Provamos os vinhos Secreto, que tinham uma determinada cepa e outra cepa, um ingrediente mágico, que não revelavam, bem, porque era secreto!
As lojinhas são encantadoras e ficamos um tempão lá, carregando bonés, taças com a marca, vinhos e o resto, bem, é secreto.




Viu Manent
Valle de Colchagua - Chile
info@viumanent.cl

terça-feira, 6 de julho de 2010

Vim, vi e amei Viognier



Então, na nossa visita ao Valle do Colchagua, no Chile, saímos sem comprar nada na loja da vinícola que produz o Clos Apalta, e fomos para a Viña Montes, uma produtora de vinhos muito bem conceituada do Chile. A gente, que não é bobo nem nada, marcou 3 vinícolas para aquele dia.
O guia da Montes praticamente falava português. Então, a visita foi ainda mais aproveitada. O melhor momento, com certeza, foi passear entre os vinhedos. Nesses carrinhos aí:



A vista do meio da plantação era incrível. Vimos parreirais de Carmenére, Syrah e Cabernet Sauvignon.




A vista do meio da plantação era incrível. Vimos parreirais de Carmenére, Syrah e Cabernet Sauvignon. Foi nessa visita que nos tornamos mais íntimos da Viognier, uma uva branca francesa que agora está sendo plantada no Chile. A Viognier é usada para deixar os brancos mais tintos, mais encorpados e possui um aroma incrível, bem floral, especialmente de rosas brancas e violetas. Um vinho perfeito para sobremesas, mas eu prefiro tomar acompanhado com um queijo brie e damascos, hum.




Lembramos que tomamos esse vinho em 2007, em Chateunief-du-Pape, na França. Era um domingo de manhã e provamos vários vinhos, mas o que trouxemos conosco, juntinho, foi exatamente o floral Viognier. Fiquei encantada de saber que a Viognier poderá ser mais facilmente encontrada agora.
Também adoramos o Sauvignon Blanc, um vinho branco, com toque cítrico, frutal ou floral, refrescante e seco, muito atraente. O Sauvignon Blanc Montes tem aquele aroma incrível de abacaxi e o mais importante para mim: sem o amargor que o Chardonnay deixa na boca.



Viña Montes
Parcela 15 - Millahue de Apalta
Santa Cruz
CHILE
56-72) 817815 Ext 108 - 101
Latitud : 34º 36´ 45´´ South
Longitud : 71º 16´ 30´´ West
http://www.monteswines.com
lafinca@monteswines.com

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Vinho bom é aquele que a gente gosta



Nosso hotel é um charme, confortável e o atendimento é impecável. Tomamos café e saímos para conhecer a viña número 1 do Chile: Casa Lapostolle.
Ela é revolucionária, tanto no conceito, quanto na arquitetura: fica numa casa design. A dona dessa vinícola, que ganhou o melhor vinho do mundo no ano passado, se chama Alexandra.




Já o vinho vencedor é o Clos Apalta 2005. Provamos um Clos 2008 no final da tour. Magnífico. Só que achamos que não deveríamos gastar 280 reais nele. Não trouxemos nenhum exemplar da Lapostolle. Provamos também um Merlot e um Chardonnay, que tinha cor e aroma incríveis. Um amarelo reluzente, limpo. Um cheiro de frutas tropicais, especialmente a manga. Inexperiente que sou, gostei muito mais do aroma do que do sabor. Aliás, essa história do Chardonnay começar docinho e terminar no amargor é uma coisa que não curto.



O Chardonnay deve ser para gostos mais refinados. Sou muito mais o Viognier. Ou o Sauvignon Blanc. Embora tenha nascido pro tinto que, além de ser o mais perfeito pro meu paladar, ainda previne o envelhecimento e faz um super bem pra saúde.
Mas o tinto também não agradou. O Merlot Lapostolle, apesar de ser um vinho incrível, mostrou-se encorpado demais. Com certeza, deve ser o top dos Merlots, mas como dizem que vinho bom é o que a gente gosta, acho que o Merlot dessa super vinícola não era bom...pra mim, claro.



Casa Lapostolle
Camino San Fernando a Pichilemu, Km 36
Cunaquito, Comuna Sta Cruz
Chile
(56-72) 953 300
(56-2) 426 99 66
info@lapostolle.com
www.lapostolle.com

domingo, 27 de junho de 2010

Sonhando com a Carmenére



A placa diz “Zona lenta”e realmente estamos parados, querendo ingressar no Chile. No meio das montanhas, cercados de motoqueiros e preenchendo formulários. Ficamos uma hora ali. Depois de toda a sabatina das aduanas, nos emocionamos com los caracoles, as famosas curvas da Cordilheira dos Andes. Não existe ângulo que mostre com realidade o que é esse trecho. As fotos mentem, posso garantir. As paisagens são de perder o fôlego. Não se entende como os ônibus e caminhões conseguem fazer aquelas curvas. Vimos cumes com neve ainda. Vimos motoqueiros passando mal nos acostamentos. Vimos a água correndo do topo das montanhas, branquinha e rápida. Deve estar geladinha. Ah, fiquei o caminho todo com vontade de beber daquela água da neve.



Julia, nosso novo GPS, não tem o mapa do Chile. Estamos perdidos de novo. Imagina a confusão ao passar pelas rótulas de Santiago. Voltas e mais voltas. Perdemos horas ali. Decidimos ir direto a San Fernando, pelo mapa seria a maior cidade perto das Viñas do Vale do Colchágua. San Fernando é pequena, sem nenhum hotel. A tarde caía. Corremos a Santa Cruz, tentar a sorte lá. O maior hotel também nos assustou: caríssimo. Acabamos ficando numa gracinha de hotel, que recomendamos com força, chamado Vendimia. Nosso quarto é o Carmenére e é muito fofo. Os compadres ficaram no Merlot. Todo mundo feliz, guardando as bagagens e já de olho em algum restaurante que atendesse às 23h durante a semana. O hotel nos conseguiu um lugar , chamado Club Social. Que bom, não iríamos ficar só na bolachinha, hehehe. Comemos bem a comida que o Club Social tinha para aquele horário, que era um filé com saladinha bem gostosinho. Mais importante: tomamos nosso primeiro vinho em solo chileno, um Carmenére Casa Silva 2009.




A cepa do vinho e nome do quarto é uma referência à uva símbolo do Chile. Julgou-se que a Carmenére havia terminado, pois fora devastada por pragas na França. Só sobreviveu porque exemplares dela haviam sido levados para o Chile, misturados com outras cepas, onde a praga não chegou, já que o lugar é protegido pela Cordilheira de um lado e pelo mar do outro. Ela foi descoberta por acaso, no meio das uvas Merlot. Notou-se que haviam algumas uvas que amadureciam em épocas diferentes e elas foram separadas para designar seu DNA. Graças ao Chile, temos Carmenére, a uva que fornece um dos vinhos tintos mais aromáticos que se conhece. Um vinho com corpo e com gosto de cerejas pretas.
Acabamos o jantar com um gostinho diferente: o de tomar o vinho do Chile no Chile. Ou melhor: o gostinho de realizar um sonho!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Desejo dias verdes e noites bordôs




A tierra del Malbec surgiu depois de várias cidades cobertas por vinhedos, como Lavalle e Costa Araújo. Esses caminhos são mais bonitos que a chegada em Mendoza. O cartão de visitas apresentou-se sujo demais para uma cidade turística.

Nesse caminho, descobrimos que minha sócia querida sabe fazer chimarrão com o carro em movimento. Ah, que prático. Aninha , agora ninguém segura a gente! Nossos dias serão verdes e nossas noites bordôs!

Estávamos no centro da capital argentina do vinho e o clima era de um balneário. Era verão, tudo bem, mas aquelas mesinhas e as pessoas com sorvetes, o comércio cheio de bugigangas e a confusão da cidade não harmonizavam com a cultura vinícola ou as outras cidades que conhecemos que produzem a bebida, como Montalcino, na Itália, Chateaunief-du-Pape, na França ou a brasileira Bento Gonçalves. Faltava o charme, com certeza. Mas, desejamos com força mudar totalmente de opinião quando conhecêssemos melhor Mendoza.

Não podíamos reclamar da falta de hotéis lá. Ao contrário de Córdoba, Mendoza tem muitos. Mas são velhos. O Ibis é o mais desorganizado que já vi e não tinha vaga. Acabamos ficando no feio por fora e confortável por dentro Cordon Del Plata. Ele tinha uma cortininha com anjinhos no box do banheiro que era muito fofa. Minha irmã me perguntou porque eu fotografo esses detalhes. Eu gosto.




Corremos para o centro, para comprar um novo GPS, já que a Chicca acha normal virar nos penhascos e nos levar ao meio do nada, mesmo que ele seja tão fofo como Copina. As tonterias do GPS nos guiaram também para o meio de uma tempestade na desértica Encom. Dois tornados nos rodeavam e o carro balançava. Olho no olho do furacão. Muita adrenalina para uma viagem de vinhos e vinhedos. O máximo da emoção que eu queria era ficar meio tontinha, bebendo um bom vinho.

Só que o centro estava fechado. Corremos ao shopping, faltando dois minutos para fechar. Aninha e eu enrolamos um vendedor, enquanto os meninos chegavam. Ele garantiu que aquele GPS tinha mapa da Argentina, Chile e Brasil. Se bobear, tinha até de toda a América do Sul. Já deu para ver quem enrolou quem, né?

Saímos da loja felizes e fomos comer no restaurante suspeito ao lado do hotel. Bem sujinho, mas era meia-noite e a gente tinha fome. As empanadas mendocinas estavam muito boas e também o amendrado (gelado com amêndoas), mas o prato principal estava seco. Deveria ser o adiantado da hora que estragou o filé milanesa napolitano. Bem, não importa: o Santa Julia Malbec 2009 foi a nossa redenção. Gostinho de cereja e um cheirinho sedutor. Santa Julia é uma marca da Família Zuccardi, uma das vinícolas mendocinas que fazem vinhos orgânicos. Em homenagem a ela, batizamos nosso super e novo GPS de Julia (rúlia). Também conseguimos o Wi-fi e pude mandar notícias para as filhotinhas.

A noite já é bordô, agora, só nos resta descansar, para curtir o dia novinho e verdinho em folha que já está chegando. E a Cordilheira dos Andes que vamos ver de perto logo cedo. Hasta mañana.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Copina: linda e perdida



O café da manhã do Windsor não podia ser melhor: pão com queijo untable, bolo, compota de pêra com canela e um suco de laranja feito com a casca que é o melhor de Córdoba. Claro que não provei nenhum outro por lá, mas não importa. Tenho certeza que aquele é o melhor suco de laranja da cidade.

Se o suco é o céu, a saída da cidade é o inferno. Levamos mais de uma hora para conseguir isso. Para completar, saindo pelo lugar errado. Isso tudo graças à louca da Chicca, que deve ter bebido além da conta na noite passada.

Os erros de Córdoba nos levaram à Carlos Paz, uma cidade de veraneio dos hermanos, que estava abarrotada de gente e onde sofremos muitos engarrafamentos esquisitos. O mais engraçado, além das mulheres sem noção que iam à lagoa de casaco dourado e salto, era a paisagem, que começou a mudar de uma forma muito contrastante, ao nos afastarmos do centro da cidade.




O cenário tornou-se rochoso e pontuado de casinhas. Depois de uma sofrida lomba atrás de um carro que se arrastava e de sua super comemorada ultrapassagem, Chicca mandou virar. Viramos. Os demais carros, inclusive a lesma da lomba, não viraram. Ficamos olhando todo o movimento continuar na rodovia, enquanto entrávamos, sozinhos e já pressentindo o erro, em uma estrada de chão. Mas fomos adiante e chegamos exatamente no meio do nada. Copina é o nome da capital desse lugar.



Copina é linda, rusticamente encantadora, mas totalmente anexa do mundo. Um lugar muito alto, com morros, alguns cavalos e poucas casinhas fofas e bucólicas no topo. Como os morros são acentuados, geograficamente falando, não confundam com a nossa reforma ortográfica, as casas estilo chalés europeus ficam bem nas beirinhas dos montes. Inacreditável. A paz é quase tocável. É mais ou menos como se você estivesse nos Alpes suíços , mas na Argentina, sabe? Seria o lugar perfeito para ver alguém ordenhando uma vaca e fazendo um delicioso chocolate quente, olhando para as montanhas da sua própria janela. Pedimos informação ali, catei uma pedrinha de lembrança (eu tenho o esquisito costume de levar pedrinhas dos lugares que gosto) e seguimos em frente, para agora nos acharmos de vez (como verdadeiros argentinos, um amigo faria a piada). Levei Copina na pedrinha e no coração.



Paramos num comedor com um belvedere maravilhoso bem adiante dali, porque, claro, não existe nada perto de Copina. Mais uma esquisitice para a coleção dos comedores argentinos: este estava cheio de fotos de um determinado cachorro (acho que era um pastor alemão) em todas as paredes e nos balcões. O bicho apreciando o pôr-do-sol no belvedere, vendo o amanhecer, curtindo um sol, dormindo. Ô. Pegamos um sanduíche de jambón (parece uma copa, bem temperadinha) e um chiclete Top Line New Flavor to Kiss – Sensual Touch of Flowers for Womem (uau!!!!), que acabou sendo a nossa mais nova obsessão. O chiclete tem gosto de flores! Delícia. Passamos a viagem olhando se encontrávamos mais nos postos. Eu queria levar para as filhotas provarem.

O Du, meu ídolo, descobriu que, do meio do nada, tinha um caminho mais perto para Mendoza e poderíamos passar ali. Em Mendoza, é produzido 75% do vinho argentino. Capaz que nós não iríamos querer ir pra lá, né? Enquanto retoco os lábios com gloss de uva da Natura, especialmente comprado para me proteger do sol nos passeios pelos vinhedos, seguimos para encontrar as videiras de Mendoza. Sem informações, nem GPS que funcionasse direito. Mas, ó, cheinhos de expectativas.

terça-feira, 22 de junho de 2010

O labirinto de Córdoba



Depois de termos sido recebidos com uma inusitada refeição de boas vindas na Argentina, chegamos à Córdoba. Após, várias voltas nos mesmos lugares, parecia que não existiam hotéis nessa cidade, uma das maiores da Argentina. Finalmente, Chicca resolver dar uma mãozinha e nos leva até um Sheraton. Não era apenas um Sheraton. Era um hotel praticamente dentro de um shopping, a bagatela de 300 dólares por noite. Ninguém levou essa possibilidade muito a sério, mas naquela altura era aquele hotel ou dormir no carro. Fomos ver se tinha lugar. Isso, pelo menos, não custava nada. Não sei se sentimos alívio ou desespero: não tinha vaga. Os simpáticos da recepção não indicaram nenhum outro hotel.

Voltamos ao labirinto. No meio dos caminhos da noite de Córdoba, dormir no carro começou a ser cogitada. Meu marido é um GPS e a cabeça de bússola do Du nos levou a um lugar do outro lado da cidade onde existiam vários hotéis, inclusive um Windsor, muito bom. Já eram mais de 23h e a fachada do hotel era a verdadeira visão do oásis. O quarto era imenso e não perdemos tempo lá, embora o cansaço quase nos impedisse: descemos rápido para jantar.



A entrada era uma espécie de bruschetta de coelho(que não comi) e cogumelos, o prato principal teve frango e abóbora e a sobremesa era um merengão com frutas. Com certeza, o melhor da finaleira dessa noite foi o Terrazas Reserva Cabernet Sauvignon 2007, o argentino com sabor de frutas e especiarias, que mostrou que a gente rodou, rodou, mas, com certeza, estava no caminho certo.




Windsor Classic Hotel
Buenos Aires 241
5000 Córdoba, Argentina
Tel: +54 (0351) 422 4012
www.windsortower.com
reservas@windsortower.com