domingo, 27 de maio de 2012

Sua majestade, o brut Mont d’Hor

Na terra onde os reis eram coroados e onde são feitas as bebidas com as quais eles celebravam suas vitórias (e se consolavam nas derrotas), também é feito o Champagne Mont d’Hor.


Mont d’Hor é uma vinícola que fica em Saint Thierry, perto de Reims, na região de Champagne, na França. O lugar é incrível, uma parada obrigatória para quem gosta da bebida e quer conhecer de perto uma pequena e charmosa vinícola.
Passamos a noite na pousada que fica lá ao lado da vinícola e dormimos como reis. Acordamos com a vista dos vinhedos e de uma bela capela romântica.


O café da manhã foi simples, mas muito gostoso. Afinal, não se precisa de muito mais, quando se tem a maravilhosa baguete francesa e aqueles queijos deliciosos.


Logo após o café, pudemos fazer um tour na vinícola, que tem instalações bem recentes. Os sócios são dois irmãos franceses que buscam fazer um champagne brut cada vez melhor. Para você ter idéia, os champagnes ficam lá, no mínimo, 3 anos antes de serem liberados para a venda. Para os vintages, o período mínimo é de 5 anos.



Provamos a versão extra-brut, além das bruts réserve, vintage e rosé. O sabor do brut Mont d’Hor é nobre. Em nada lembra aquele brut que seca a boca, mas é verdadeiramente uma bebida elegante, com um mínimo de açúcar, na quantidade certa. Realmente um brut saboroso, muito diferente dos que eu já havia tomado.


Os proprietários são gentis e ótimos anfitriões e nos ajudaram a marcar uma visita em português na Moet et Chandon na vizinha Epernay, onde dormiríamos na próxima noite.

Trouxemos de lá um brut vintage, que com certeza, vindo de um solo de reis, vai coroar alguma comemoração bem especial.

Champagne Mont d’Hor
8 Rue du Mont d'Hor 51220 Saint-Thierry, França

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Acertar o hotel também é uma vitória O resultado da eleição presidencial da França ecoava pela televisão da casa aquecida e nós estávamos lá fora. Devia fazer uns 8 graus. Havíamos viajado o dia todo, desembarcado em Paris e disparado para Saint Thierry.
Saint Thierry é um pequeno e charmoso vilarejo na região de Champagne, primeiro destino da nossa viagem de 10 dias. Toquei a campainha e uma moça simpática veio atender. Ela falou das eleições e já nos conduziu para a casa ao lado, um antigo armazém reformado, que agora virou um lugar moderno. Nos encantamos com o quarto, que era espaçoso e super confortável.
O Le Clos Du Mont d’Hor é a pousada da vinícola Mont d’Hor, que produz champagnes. É uma empresa familiar e o lugar onde fica é incrível. Nosso quarto tinha a vista dos vinhedos da Veuve Cliquot, além de uma linda capela antiga. Pudemos ouvir pássaros e aquele sino tocando, ver coelhos entre as vinhas e até cavalos que ficavam num bosque ao lado, mordiscando as árvores.
Para celebrar a delícia do momento, abrimos uma Mont D’Hor e vimos as bolhinhas minúsculas permanecerem no copo, enquanto descansávamos para a maratona que só estava começando.
Para nós, independentemente de quem havia ganhado as eleições na França, o lugar eleito por nós na região de Champagne era aquele. Le Clos Du Mont d’Hor teve 100% da nossa preferência. Le Clos Du Mont d`Hor 8 rue Du Mont d`Hor Saint-Thierry

segunda-feira, 19 de março de 2012

Da Casa de Madeira direto para a minha casa

Existe um movimento bacana pelo mundo que é o resgate da culinária dos primeiros habitantes do lugar. Como dos índios navajos nos Estados Unidos ou dos primeiros moradores no Chile, como já comentamos aqui, no post do Valle de Colchagua, que falava sobre o Mistela, de Santa Cruz.





O Mistela é um restaurante onde a culinária é baseada nos alimentos dos povos indígenas, antes dos espanhóis chegarem à terra de Pablo Neruda. No cardápio, dá para notar a presença de ingredientes substanciosos da dieta dos trabalhadores da terra, como o pinhão, por exemplo.




Na Serra Gaúcha, na região do Vale dos Vinhedos, a reaproximação é com a cultura italiana do imigrante que aqui chegou e desenvolveu uma culinária com os poucos recursos que encontrou. Ela era baseada fortemente na carne de caça.
A Casa Valduga buscou nos primeiros italianos no Rio Grande de Sul a inspiração para o cardápio do Bistrô Casa de Madeira, localizado a um quilômetro da vinícola. O restaurante fica na parte subterrânea da unidade de sucos e geléias da empresa, numa construção que é anterior a 1900.
O cardápio é uma homenagem aos imigrantes, claro que com muito mais luxo e um toque incrível das geléias do lugar. Para você ter idéia, um dos antepastos é uma pastinha de queijo gorgonzola com geléia de morango e pimenta, que dá para repetir em casa sem medo.
O cardápio imigrante tem carne de codorna ao vinho branco, muito, muito cheirosa e igualmente gostosa, polentas, massas e um maravilhoso e inesquecível nhoque de batata doce. Também vale a pena provar a salada de folhas verdes com vinagre balsâmico e geléia de merlot, que é incrível e super fácil de fazer.




Por isso, aqui em casa, o meu resgate culinário vai ser das delícias encontradas nos temperinhos e misturas agridoces da Casa de Madeira.



Bistrô Casa de Madeira
Linha Leopoldina - Vale dos Vinhedos
Bento Gonçalves – RS
www.casamadeira.com.br

segunda-feira, 12 de março de 2012

A vinícola do Don Laurindo

Chegamos a Bento Gonçalves a tempo de um café italiano típico no Giordani Café. Depois, seguimos para a primeira degustação, na Vinícola Don Laurindo.
O Merlot Don Laurindo provado no ano passado foi o que nos fez escolher essa parada em primeiro lugar entre tantas vinícolas.



Ao chegar, notamos que a empresa é literalmente familiar, já que o seu Laurindo em pessoa, como a ilustração do rótulo, estava em frente à vinícola, tomando o seu chimarrão. Achei muito bacana ser recebida, mesmo que meio de longe, pelo patriarca da vinícola.



Essa vinícola foi fundada em 1991 e tem produção limitada. Fica num lugar lindo no Vale dos Vinhedos, região gaúcha que lembra o Norte da Itália, com seus vales e montanhas.



As primeiras cepas chegaram junto com os imigrantes italianos em 1889, mas foram substituídas por vitis viníferas a partir dos anos 70. A Merlot foi a cepa que melhor se adaptou à serra gaúcha e hoje é conhecida como a uva emblemática brasileira. Embora isso não seja divulgado e explorado como poderia ser, já que muitos brasileiros não conhecem o seu melhor tinto.



A Merlot é bastante similar à cabernet sauvignon, mas é uma uva mais macia e suave. Costuma ter aroma frutado, com predominância de frutas vermelhas e ameixa.



Na vinícola Don Laurindo, além do vinho Merlot, ainda provamos alguns brancos, tintos e um espumante. Dizem que vinho bom é o vinho que é bom para você. O Merlot continua sendo o melhor do Vale dos Vinhedos pra mim.



Mas o espumante demi-sec Don Laurindo também é delicioso, embora tenha ouvido que a especialidade do Don Laurindo, o patriarca que, fora da garrafa endossa com a sua imagem o que está dentro dela, seja o espumante Brut.

Vinícola Don Laurindo
Estrada do Vinho . Oito da Graciema
Vale dos Vinhedos - Bento Gonçalves - RS
www.donlaurindo.com.br

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Bate e volta

Uma das coisas mais fantásticas de ler um blog de uma francesa que mora em Paris é acompanhar um relato que começa assim: hoje acordei e pensei em dar um pulinho em Bordeax. Coisa rápida, só um bate e volta. Ou passar um dia em Reims. Ou ainda em Colmar, que faz parte da região vinícola da Alsácia-Lorena.
Também fico simplesmente encantada quando leio o relato de moradores da Itália que acordam e simplesmente decidem ir provar vinhos Brunellos e Chiantis em algumas cidades desconhecidas da Toscana. Vão num pé e voltam no outro, com o porta-malas cheios de garrafas para o inverno. Acho incrível estar a poucas horas de lugares maravilhosos, cheios de história e com ótima gastronomia.



Pra mim, poder acordar e partir com pessoas queridas para um final de semana em Bento Gonçalves é um prazer bem parecido com esse. É sério. Nossa região vinícola é bela demais. Os caminhos com vinhedos são lindos e inspiradores.



Na época da vindima é especial, com os cachos roxos e verdes intercalados com as folhas largas, que logo ficam douradas, marrons e até arroxeadas no outono. Mas, no Vale dos Vinhedos, em todas as épocas, você é muito bem recebido. E se come muito bem lá. Para completar, as vinícolas estão se especializando e os vinhos e espumantes estão ficando cada dia melhores.



Então, se você gosta de tudo isso, vá para Bento Gonçalves. Pode ser até para passar um dia, assim, no estilo bate e volta, que faz voltar...encantado.



(Se beber, claro, não dirija.)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Tarantela em ritmo de carnaval

A Escola de Samba do Estado Maior da Restinga, com o tema “Da Mitologia à realidade: A Tinga de taça na mão! Vinhos do Brasil, sinônimo de qualidade, saúde, prazer e prosperidade”, acaba de ser eleita campeã do Carnaval de Porto Alegre.


Foto: G1

A Tinga desfilou com tinas e até amassou uvas em ritmo do samba. Também distribuiu cachos de uvas para o público. Foi uma forma bacana de divulgar Caxias do Sul, Bento Gonçalves e o nosso vinho nacional.
Pois é, aqui no Rio Grande do Sul, o vinho foi a bebida campeã do carnaval.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Vale dos vinhedos vale demais a pena

No último sábado, fomos para a região vinícola de Bento Gonçalves, RS. A época da vindima é uma das mais lindas para conhecer os caminhos do vinho. A cidade respira uva: a fruta está nas recepções dos hotéis, nas sobremesas dos restaurantes, nas bancas na beira da estrada. É impossível não se contagiar pelo clima de colheita do lugar.



Para curtir bem Bento Gonçalves, saímos cedo e chegamos a tempo de fazer uma parada estratégica para um café típico italiano no Giordani Café da Colônia. O café, que fica no Vale dos Vinhedos, ainda estava fechado. Mesmo assim, nos atenderam muito bem e explicaram gentilmente que o pão estava assando.



Entramos na charmosa casa de madeira onde é servido o café da colônia típico da região e aguardamos. Logo, a mesa começou a ser preenchida com pão caseiro, cuca, queijo colonial, geleias, nata, grostoli e outros biscoitos, café com leite, suco de uva e vinho.



O destaque do café foi a omelete, uma das mais gostosas que já provamos. Também ganharam muitas estrelinhas as polentas com queijo, além da linguiça assada, que eram servidas na mesa.



Assim, estávamos preparados para as degustações de vinho que viriam a seguir. Don Laurindo, Salton e Dal Pizzol eram nossos próximos destinos. E o fim de semana estava apenas começando.

Giordani Café da Colônia
Via Trento- Vale dos Vinhedos
Bento Gonçalves - RS
Fone (54) 3453.6884)